A aproximação a Antoine-Laurent

DSC_0239Tomo aqui emprestado, para adaptá-lo, o título do conto de Borges (“A aproximação a Almotásim”) — que afinal fala sobre seguir pistas para encontrar uma pessoa — por uma razão. Tenho diante de mim uma autêntica preciosidade (pertencente à biblioteca), que abre a possibilidade de passar muitos momentos borgianos e umbertianos: o catálogo da biblioteca de ninguém menos que Antoine Laurent Lavoisier.

Foi levantado com minucioso cuidado por Marco Beretta, e editado pela Olschki, de Firenze. É como um mergulho no espaço de idéias (senão na mente) de Lavoisier. Não à toa, Jorge, o Bibliotecário, dizia: “Alguns se jactam dos livros que escreveram; eu me orgulho daqueles que li”. A relação entre o que Lavoisier leu e o desenvolvimento do seu pensamento é complexa, não-linear, certamente, mas mesmo assim esta é uma fonte preciosa.

Previsivelmente, há muitos títulos de administração pública, tributação, etc. Há tratados e memórias químicas a mancheias, como Priestley, Scheele, Lemery, Geoffroy, Fourcroy, vários Stahl e Becher. Talvez o mais interessante nesta categoria: John Mayow. Hm. Esta é uma pista interessante! Georgius Agricola. Esperava encontrar Condillac, e de fato tem “La logique”, e mais alguns dele sobre administração e finanças. Há um exemplar da “Epítome da astronomia copernicana”, última grande obra de Kepler e, de Newton, uma “Opera quae exstant omnia” — bom, bom… Mais filósofos, como Leibniz, vários Locke, só um Descartes (um volume contendo Les passions de l’âme e Le Monde), Montesquieu, Hartley, Raimundo Lullo, Pascal, Francis Bacon, Rousseau (Discours sur l’origine et les fondements de l’inegalité parmi les hommes), além de duas coleções completas, enormes, das obras de Voltaire.

Há também matemáticos como John Wallis e L’Hospital. Ciências da vida: Spallanzani, Redi, Lamarck, Haller… Medievais: Roger Bacon (“De secretis operibus artis et naturae et de nullitate magiae”), Alberto Magno (“De mineralibus et rebus metallicis libri quinque”). Inclusive há alquimistas e hermetistas como Andreas Libavius, Paracelso e Athanasius Kircher (“Mundus subterraneus”, “Magneticum naturae regnum”, “Prodromus coptus”, “Lingua aegyptiaca restituita”). Hm. Interessante, interessante. Isso tudo em um primeiro exame. Seguramente,  muita coisa ainda passei por alto.

O retrato vai se formando. O círculo vai se fechando…

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O fomento à pesquisa pelo ângulo da filosofia da ciência

Nesta terça-feira, dia 5 de novembro, eu e o Prof. Maurício de Carvalho Ramos iremos realizar uma “aula-debate-conversa” aberta ao público, a convite dos alunos da Filosofia-USP. Iremos debater “Os mecanismos de fomento à pesquisa e a quantificação do conhecimento vistos pela perspectiva da filosofia da ciência”. Sala 111 do prédio de Filosofia e Ciências Sociais, às 14h.